05 fevereiro 2014

PREFEITO DIVULGA RELATÓRIO QUE REÚNE MAIS DE 8 MIL AÇÕES DE COMBATE ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO MUNDO

Na primeira plenária da 5ª Reunião de Cúpula do C40 em Joanesburgo, organização revela que em dois anos cresceu a conscientização dos governos municipais diante dos efeitos do aquecimento global

O prefeito Eduardo Paes deu início nesta quarta-​feira (05​/02), na cidade sul-africana de Joanesburgo, à 5ª Reunião de Cúpula do C40, sua primeira como presidente da organização que reúne prefeitos das principais cidades do mundo para discutir ações de enfrentamento às mudanças climáticas e suas consequências. Após uma terça-feira de reuniões internas, em que o prefeito dirigiu pela primeira vez o encontro de diretores, ​o ˜C40 City Mayors Summit - Joburg 2014" foi aberto oficialmente nesta quarta-feira com a apresentação ​do relatório Climate Action in Megacities Volume 2.0 - ​CAM 2.0​, pesquisa inédita que detalha as mais de oito mil ações de combate, mitigação e adaptação aos efeitos do aquecimento global promovidas pelas megacidadesao redor do mundo. De 2011 (quando o primeiro relatório foi divulgado em São Paulo​) para 2013 dobraram o número de projetos e políticas públicas em torno do tema.

Das oito mil ações, 41% representam atividades que beneficiam toda a cidade e não estão restritas a um bairro ou região. Dos municípios registrados, 98% indicam que a mudança climática apresenta riscos significativos para as suas populações e infraestruturas.

Durante a primeira plenária do encontro de prefeitos do C40, foi discutida importância de gerar sistemas de medição, monitoramento e dados:

- Mesmo que ​você ​olhe para as cidades mais ricas​, nunca existirá​dinheiro suficiente pra fazer tudo o​ que precisamos e queremos. Medições são fundamentais para indicar  as vulnerabilidades e priorizar o investimento, otimizando a aplicação de recursos​ -  afirmou Eduardo Paes que usou como exemplo o Centro de Operações Rio e o sistema de sirenes:

- São ações integradas que evitam a morte de pessoas. Não podemos impedir que a chuva caia e temos que lidar com a realidade de que somos uma cidade tropical cercada de montanhas e favelas e com várias bacias que alagam. Mas decidimos agir a curto prazo, criando o sistema de sirenes que tocam sempre que a previsão de chuva e a precipitação atingem determinado nível; e a médio e longo prazo, mapendo as regiões com alto risco de deslizamentos e alagamentos e definindo obras que podem ser feitas para evitar que desastres aconteçam e, quando não há intervenção capaz de fazer isso, retirarmos as pessoas desses lugares e levá-las para moradias dignas em locais seguros.

O Rio de Janeiro é citado no relatório como exemplo de cidade com ações sustentáveis efetivas, como a implantação do sistema BRT (Bus Rapid Transit - corredor exclusivo para ônibus articulados) - e da segunda maior malha cicloviária da América Latina, com 346km, perdendo apenas para Bogotá. Os dois investimentos já estão diminuindo a emissão de gases do efeito estufa na cidade, assim como o Fertilurb, iniciativa da Comlurb que transforma material orgânico descartado em adubo.
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Segundo o relatório, mais da metade das cidades membros do C40 (35) já desenvolvem ou planejam desenvolver o sistema de BRT, a exemplo do Rio de Janeiro, 57% delas em países desenvolvidos do Hemisfério Norte. De acordo com o prefeito do Rio, a implantação do sistema possibilitará a retirada de oito mil ônibus de circulação, promovendo uma redução significativa na emissão de gases poluentes na cidade:

- As cidades que não têm tanto poder ou tanto dinheiro, podem criar soluções inovadoras como os BRTs, que são muito mais baratos que o metrô. São soluções que podem ser implementadas agora. Outra iniciativa que fez diferença e está entre as principais tomadas pela prefeitura é o maior cuidado e investimento no tratamento de lixo.

A pesquisa também aponta que a estratégia do C40 de usar o esquema de redes aumentou, com sucesso, a colaboração entre as cidades. Por exemplo, há um aumento de 500% em cidades que implementaram programas de compartilhamento de biciletas:em 2011, apenas ​seis possuiam o sistema, em 2013 já eram 36. Para Paes, isso é uma mostra de que está nas mãos dos prefeitos a missão de melhorar a resiliência climática através do corte de emissões de gases poluentes.

- É importante que uma iniciativa inovadora como o BRT, que veio de Curitiba, esteja se espalhando para cidades mais desenvolvidas. E a América do Sul vai continuar liderando estas ações. O Rio acaba de ganhar o título de cidade mais inteligente do mundo no Barcelona City Expo, sendo o principal projeto o nosso Centro de Operações. Além disso, estamos implementando um conceito que classificamos como Polisdigitocracia, que significa usar a tecnologia para se comunicar melhor com os cidadãos e criar conhecimento sobre as mudanças climáticas. É este tipo de iniciativa que compartilhamos entre os prefeitos para espalhar essas ações ao redor do mundo -  disse o prefeito do Rio, para quem o esforço dos membros da organização está acelerando as ações das cidades mundiais em escala "transformadora". 
Último presidente do C40 e atual presidente do Conselho da organização, Michael Bloomberg falou sobre a transmissão de cargo para o prefeito do Rio e lembrou que Eduardo Paes passa por um momento de grandes desafios, reforçando sua confiança no brasileiro:

- Ele está enfrentando muitos desafios, já que o Rio de Janeiro terá uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos logo depois. Mas ele é um ótimo prefeito e está encarando esses desafios, que todas as cidades têm.

Bloomberg falou ainda sobre a necessidade de as cidades serem criativas para não dependerem unicamente de incentivos dos governos federais:

- Se você tem um prefeito forte, ele pode convencer a esfera federal de que um certo projeto que necessita de investimentos é do interesse público e vale a pena. Mas os prefeitos podem fazer muita coisa sem precisar recorrer à União, como é o caso de ciclovias e muitas outras das oito mil ações que as cidades do C40 fizeram nos últimos anos.

Nos próximos 20 anos, 70% da população mundial vai viver nas cidades. As 63​ cidades que compõem o C40 hoje representam globalmente 600 milhões de pessoas, 5% de emissões de gases do efeito estufa e 21% de PIB do planeta. Durante a Conferência Rio+20 das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2012, o C40 anunciou que as ações existentes das cidades-membro vão reduzir emissões anuais de gases do efeito estufa em 248 milhões de toneladas até 2020, e que a previsão de redução potencial até 2030 será de mais de 1 bilhão de toneladas.

O diretor executivo do C40, Mark Watt, acredita que o materialdivulgado nesse primeiro dia da 5a Reunião de Cúpula do C40 ​será de grande importância para nortear as ações das cidades e permitir a elaboração de metas:

- Nossos dados vão informar a direção estratégica dos programas e iniciativas do C40 e permitir que as cidades estipulem metas, avaliem ações e acessem fontes. Essa habilidade de medir nossos esforços é crítica, dada a necessidade urgente de reduzir as emissões e os riscos climáticos.As cidades demonstraram que têm liderança ao promoverem​ ações eficientes ​contra mudanças climá​ticas. Elas são pragmáticas e têm impacto no crescimento econômico das cidades​ e na​ expansão de seu papel de interferir no impasse que existe no nível dos governos nacionais.


Com o tema "Rumo a megacidades resilientes e habitáveis - demonstrando ação, impacto e oportunidade", o encontro bianual da C40acontece pela primeira vez na África. P​residido pelo prefeito Eduardo Paes, o encontro​reunirá até esta quinta-feira (6) em Joanesburgo, na África do Sul, Michael Bloomberg, último presidente do C40 e ex-prefeito de Nova York; Mpho Parks Tau, prefeito de Joanesburgo; Christiana Figueres, secretária-executiva das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, além dos prefeitos de mais de 40 grandes cidadesdo mundo, como Oslo, Houston, Curitiba e Copenhagen.​ Ainda nesta quarta-feira, o prefeito Eduardo Paes faz um entrevista coletiva ao lado de outros prefeitos e membros da C40, participa de almoço com Christina Figueres e encerra o dia com seu discurso oficial de posse como oprimeiro prefeito de uma cidade emergente a presidir o C40.

RIO DE JANEIRO SUSTENTÁVEL

CICLOVIAS - A meta da Prefeitura do Rio é expandir a malha de ciclovias para 450 km até 2016, em todas as regiões da cidade, possibilitando a integração deste meio de transporte com outros modais, como BRT'S, metrô, rodoviárias, trens e barcas, evitando assim o uso do carro. Atualmente, a cidade conta com 346 km de ciclovia, o que a torna a segunda maior malha cicloviária da América Latina, perdendo apenas para a capital colombiana, Bogotá, com 360 km.

BRT - Até 2016, a capacidade do transporte coletivo no município passará de 18% para 63%, graças á implantação dos novos corredores BRT (Bus Rapid Transit): Transoeste (em funcionamento)  TransCarioca, TransOlímpica e TransBrasil.  Ao todo, serão 150 quilômetros de vias especiais para ônibus articulados. O Sistema BRT está diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico sem agredir o meio ambiente, usando recursos naturais de forma inteligente. Cada veículo do BRT circula com biodiesel B-20 (combustível renovável) e utilizam o motor Euro5, de padrão europeu, considerado bem menos poluente que os motores da frota comum. Além disso, cada ônibus BRT equivale a três comuns, o que já representa uma redução significativa na emissão de gases poluentes. O número menor de paradas ao longo do corredor (as estações são pré-definidas) e a via sem congestionamento reduzem as saídas em primeira marcha, que também contribuem para a redução de gases poluentes na atmosfera.

FERTILURB -  Projeto piloto da Prefeitura do Rio, o Fertilurb pretende gerar entre 15 mil e 18 mil metros cúbicos de fertilizante por ano através da separação de material orgânico descartado. O tratamento de lixo, evitando desperdício, estimulando o reaproveitamento do material orgânico e identificando alternativas de tratamento, é um dos principais desafios das cidades atualmente. O composto resultante do material é usado no programa de reflorestamento da cidade.

OUTROS DADOS REVELADOS PELO CAM 2.0​:

Adaptação e Água
  • As cidades estão levando a adaptação climática a sério – 98% das cidades a reconhecem como uma ameaça que apresenta um risco significativo à sua população e estão alocando recursos (80% das cidades) e mão de obra (83% das cidades) para desenvolver soluções.
  • 89% das cidades relatadas têm poder de agir em relação à Adaptação
  • ​​77% ​t​êm poder de agir em relação Água​.

Eficiência Energética
  • 90% das cidades analisadas estão realizando iniciativas em relação à iluminação pública para reduzir emissões e introduzir tecnologia inteligente de iluminação de rua.
  • Do total das ações de eficiência de energia em prédios, 69% das ações focaram em reduzir demandas energéticas em prédios, incluindo o monitoramento de uso de energia.
  • 84% e 88% das cidades analisadas têm poder de agir em prédios e em iluminação pública, respectivamente.

Oferta de Energia
  • A transformação de lixo em energia é um sucesso entre as cidades, com a maior proporção (64%) de ações transformadoras e significantes, incluindo captura de gás metano em aterros e geração de energia de baixo carbono através da digestão anaeróbica em locais de tratamento de lixo.
  • Um terço das ações de oferta de energia planejadas para uma expansão futura focará em gerar energia através do lixo.
  • 49% das cidades analisadas têm poder em relação à oferta de energia.
  • Finanças e desenvolvimento econômico
  • 47% das cidades estabeleceram seus próprios fundos de investimento em eficiência energética, energia renovável ou projetos de redução de carbono.
  • Mais de 50% de todas as ações planejadas já estão em estágio piloto, sugerindo um forte potencial de inovação e crescimento.
  • 70% das cidades analisadas têm poder de agir no setor de Finanças e Economia

Comunidades Sustentáveis
  • As cidades do C40 estão implementando mais de 350 ações no desenvolvimento de comunidades sustentáveis, com uma tendência a ações mais transformadores ou significativas
  • 76% das cidades pretendem expandir ações de desenvolvimento em escala comunitária que já estão em progresso, o que mostra que as cidades estão acelerando suas respostas à mudança climá​tica.
  • 58% e 25% das cidades analisadas têm poder de agir nos setores de Comida e Agricultura e de Informação e Tecnologia da Comunicação, respectivamente.

Transporte
  • O setor de Transporte teve o maior aumento em ações reportadas: 150% comparado a 2011.
  • As cidades estão realizando 1.534 ações em transporte, das quais 873 em transporte privados e 661 em transporte de massa.
  • 49% das ações analisadas têm como meta promover ciclismo e passeio público – mais do que qualquer outra área de atuação em transporte privado.
  • 88% das cidades analisadas têm o poder de agir em transporte.

Lixo
  • 65% das ações em redução de lixo estão em estágios transformadores e sendo entregues em toda a cidade.
  • 92% das cidades que estão agindo no tratamento de lixo estão implementando administração de gás em aterros e transformação de gás em energia.
  • 82% das cidades analisadas tem poder de agir no lixo.

Disponível em: <http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?id=4579112>. Acesso em 05 fev. 2014