29 maio 2012

Clipping: PESQUISA AVALIA QUATRO PRAIAS DA BAÍA DE GUANABARA

"A poluição das praias é uma consequência direta do saneamento básico deficiente, que resulta em esgoto chegando ao mar sem tratamento", afirmou a bióloga Jane da Costa Valentim Rego em sua dissertação de mestrado em Saúde Pública pela ENSP, intitulada Qualidade Sanitária de Água e Areia de Praias da Baía de Guanabara. A pesquisa teve como objetivo avaliar e monitorar a qualidade sanitária das areias e águas das praias por meio de análises colimétricas e micológicas, além de propor a análise de fungos como padrão de avaliação na classificação sanitária destas áreas de recreação. Foram avaliados materiais de quatro praias da Baía de Guanabara, sendo duas situadas na Ilha do Governador e duas na Ilha de Paquetá, e concluiu-se, dentre outros resultados, que a contaminação da areia não está relacionada à da água e que, nas quatro praias observadas, as características de contaminação foram totalmente diferentes tanto nas águas como na areia.

Orientado pela pesquisadora Adriana Sotero, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA/ENSP), o estudo analisou a Baía de Guanabara devido ao fato de ser um ecossistema extremamente produtivo, apesar da grande quantidade e diversidade de poluentes lançados diariamente em suas águas, fator que compromete a saúde de quem frequenta e a sustentabilidade econômica. De acordo com a autora, a metodologia utilizada para o desenvolvimento do estudo foi a técnica de membrana filtrante - método rápido e preciso para isolamento e identificação de colônias de bactérias –, e os resultados foram expressos em unidades formadoras de colônia por grama e por mililitro por meio de análises colimétricas, na avaliação de bactéria Escherichia coli, coliformes totais e micológicas. Durante o estudo, foi proposto um novo padrão para análise bacteriológica de areia.

Segundo Jane, a contaminação da areia de áreas de recreação está ligada também a presença excessiva de pombos nas praias, que podem ocasionar a contaminação das areias com fungos nocivos, o que, associados ao lixo despejado no local, torna o ambiente propício aos microrganismos. “A qualidade sanitária das praias tem adquirido importância crescente por razões ambientais e de saúde pública. Durante muito tempo, as praias eram apenas monitoradas pela densidade de coliforme fecal presente em suas águas, apesar de a matriz areia ser uma possível fonte de contágio de microrganismos patogênicos”, explicou Jane.

Ela explicou que, nos últimos anos, tem havido uma preocupação crescente com a contaminação significativa das áreas das praias pelo descarte inadequado de lixo, dejetos de animais ou poluição trazida pelos mares, que podem conduzir bactérias, fungos e parasitas patogênicos, causando risco à saúde, principalmente das crianças que, ao brincarem em areias contaminadas, podem contrair doenças devido ao seu sistema imune ainda estar em desenvolvimento.

“O Brasil aumentou em 1,4 pontos percentuais sua rede coletora de esgoto em 2008, mas mesmo assim quase 50% da população ainda não tem acesso a esse serviço. No país, 52,5% dos domicílios têm coleta de esgoto, um acréscimo de 30.208 mil unidades. Porém, a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra também que o número de pessoas que possuem outro tipo de esgotamento sanitário ou nenhum aumentou em 603 mil”, analisou.

Jane concluiu em seu estudo que são necessárias medidas de vigilância ambiental que possam detectar a presença de ligações clandestinas de esgoto à rede pluvial, que desemboca nas praias, e às redes de esgoto que estejam interferindo na qualidade sanitária da areia e da água. Segundo ela, para os dois parâmetros microbiológicos utilizados no trabalho (coliformes e fungos), os níveis da qualidade sanitária na matriz areia seca estiveram na maioria das vezes superiores aos valores de areia úmida e água - portanto a areia seca deve ser uma área constantemente monitorada.

“Com esta pesquisa podemos afirmar que é fundamental desenvolver um estudo epidemiológico em associação à correlação dos níveis sanitários encontrados nas praias e à incidência de doenças encontradas na população que faz uso dessas áreas. É preciso dar continuidade ao estudo de vigilância e monitoramento em praias oceânicas e em praias de rios, de modo que se tenha maior número de dados de ecossistemas brasileiros que possam fundamentar padrões nacionais”, alertou Jane.

Tatiane Vargas


Disponível em: <http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/30339>.Acesso em: 29 abr. 2012