18 abril 2012

Clipping: AMAZONAS ESTÁ DESPREPARADO PARA PREVENIR MALÁRIA, DIZ FVS

Cheia é apenas um dos fatores que contribui para o aumento da doença. Crescimento da malária não era esperado pelos técnicos do órgão.


Romeo afirma que é necessário integração
entre os órgãos ambientais
(Foto: Girlene Medeiros/G1AM)
O Amazonas não está preparado para prevenir a malária. A afirmação é do chefe do Departamento de Vigilância Ambiental da Fundação Vigilância em Saúde (FVS), Romeo Rodrigues Sialho, após visitas do órgão aos municípios com maior incidência de casos da doença no Estado. A FVS aponta a subida do nível das águas como um dos fatores contribuintes para à proliferação da malária.


A partir da cheia dos rios, houve o aumento de 30% dos casos de malária no Amazonas e a FVS enviou equipes emitindo alerta para os municípios com casos detectados. A ideia é evitar que os números aumentassem gradualmente nas regiões mas, de acordo com a fundação, a fiscalização deve ser mais eficaz no sentido de prevenir a doença. O órgão tem obtido resultados satisfatórios, como a redução de 70% dos diagnósticos positivos desde 2007, mas outros fatores característicos do ambiente amazônico dificultam uma prevenção eficaz.
A cheia dos rios, que tem deixado 18 municípios em situação de emergência, é um dos itens que dificulta a ação do combate. De acordo com o chefe da FVS, o estado é vulnerável a ação da natureza. "Todo ano, nós temos enchentes. Deveríamos estar preparados, mas não estamos. A própria população, adaptou-se, de certa forma, a essa situação criando um modo de vida que diminuísse os efeitos das enchentes, mas nós estamos vulneráveis a isso", afirmou ao G1.
Segundo a FVS, aproximadamente 16 mil pessoas contraíram malária em  2012 e 30 municípios do estado registraram o aumento da doença. "É um aumento altamente considerável. A questão do nível das águas provoca alguns efeitos. Um deles é a migração das populações em que as pessoas são desalojadas do interior, se dirigem para as áreas urbanas ou para outros locais e se abrigam de forma precária, o que aumenta o risco", explicou Romeo.

Fiscalização e Integração 

Ainda de acordo com o chefe do Departamento de Vigilância Ambiental da FVS, Romeo Sialho, a fiscalização deve ser mais ativa para conter os altos índices. Segundo ele, é necessário uma integração maior entre os órgãos ambientais. "Um exemplo é a proliferação de tanques de piscicultura. O que acontece, muitas vezes, é que os projetos de implantação de tanques são iniciados e abandonados. Então, você fica com locais criadouros de mosquito", disse.

Cidades também receberam microscópios
para ampliar a rede de diagnósticos
(Foto: Reprodução TV Amazonas)
Outras características da região também dificultam o trabalho do Estado na prevenção da malária, como a estrutura de moradias locais, segundo Romeo. "As casas do interior são apropriadas para o ambiente regional. O uso da madeira é uma adaptação ao clima local, mas as casas não possuem as características ideais para proteger quem vive naquelas residências", explicou o Sialho, "Diante dessa realidade, temos trabalhado muito com telas nas portas e janelas. Essas são ações que diminuem o risco mas não chega a eliminar porque a gente vive em um ambiente do mosquito".

A instalação de 500 mil mosqueteiros com inseticidas, exames de diagnóstico da patologia e ampliação da rede de laboratórios específicos para tratar pacientes são as principais ações da FVS para evitar o crescimento da doença.